Bioatividade de óleos essenciais e extratos vegetais no controle de Phytophthora nicotianae

Do artigo “Bioatividade de óleos essenciais e extratos vegetais no controle de doenças causadas por Phytophthora nicotianae em solanáceas”, de Antônio Alves Pimenta Neto, Gláucio Dias Gonçalves, Carolina Santos Benjamin, Larissa Corrêa do Bomfim Costa, Rosilene Aparecida de Oliveira, Sônia Maria Alves de Oliveira, e Edna Dora Martins Newman Luz, publicado por Summa Phytopathologica

A família Solanaceae reúne várias olerícolas de importância econômica, que são altamente vulneráveis à problemas fitossanitários, e devido a isto, é grande a quantidade de agrotóxicos empregada para o controle delas.

Embora os agroquímicos sejam largamente utilizados por, apresentarem em curto prazo, um efeito positivo para o produtor, podem induzir o surgimento de isolados dos fitopatógenos resistentes às substâncias químicas utilizadas. Nesse contexto, a agricultura alternativa ou sustentável estimula a busca de novas medidas de proteção das plantas contra as doenças. Um dos enfoques é o controle alternativo de doenças de plantas através o uso de óleos e extratos vegetais ou de metabólitos secundários, que oferecem maior segurança, seletividade, biodegradabilidade, viabilidade econômica, e aplicabilidade em programas de manejo integrado de pragas devido ao baixo impacto ambiental.

Várias plantas por possuírem substâncias comprovadamente antimicrobianas, vêm sendo utilizadas no controle alternativo de doenças de plantas, podendo ser aplicados através da atomização na parte área, ou incorporação ao solo, para controlar a densidade populacional de patógenos habitantes do solo como Phytophthora spp. O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de óleos e extratos vegetais de Syzygium aromaticum e Cybopongon nardus no controle das doenças causadas por P. nicotianae em tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill. ) e berinjela (Solanum melongena L. ).

Óleos essenciais (EO) e extratos brutos aquosos (EBA) de Syzygium aromaticum e Cymbopogon nardus, e seus principais componentes químicos foram investigados para controle in vitro e in vivo de doenças causadas por Phytophthora nicotianae em tomateiro (Lycopersicon esculentum) e berinjela (Solanum melongena).

Experimentos in vitro foram conduzidos pelo método de diluição em ágar com diferentes concentrações de óleos essenciais (OE’s) (0,1; 0,5; 1,0 ?L/mL) e extratos aquosos brutos (EBA’s) (1,0; 10,0 20,0%) para avaliar o potencial inibitório sobre o crescimento micelial e germinação de zoósporos. Com as porcentagens de inibição e concentrações inibitórias mínimas encontradas, realizou-se testes em frutos e plântulas sob ambiente controlado.

As variáveis avaliadas foram o diâmetro médio das lesões formadas na superfície dos frutos e a incidência e morte de plântulas ao longo de seis e 15 dias de avaliação, respectivamente.

Os produtos que mais inibiram o crescimento micelial e a germinação de zoósporos foram obtidos de S. aromaticum, nas concentrações de 0,5 μL/mL e 10% de OE e EBA, respectivamente.

Os tratamentos que mais retardaram a progressão da doença em frutos e plântulas, em comparação com o controle, foram o OE e EBA de C. nardus a 1,0 ?L/mL e 20%, respectivamente.

Portanto, os produtos obtidos de S. aromaticum e C. nardus, têm potencial para reduzir o ataque deste patógeno em tomate e berinjela.